O Fórum de Qualidade e Segurança na Saúde abordará temas com: judicialização, pagamento por valor, liderança para segurança, tecnologia para segurança entre outros

Para Sandra Cristine, presidente do comitê cientifico, o fórum tem o propósito de discutir os novos conceitos e processos em torno da segurança do paciente.

Na edição de 2019, da SAHE –  A South America Health Exibition – 2019, o Fórum de Qualidade e Segurança da Saúde será presidido por Sandra Cristine, psicanalista e CNO Rede D’Or Hospital São Luiz Itaim. O tema abordado desse ano será “Qualidade e Segurança além dos muros hospitalares”.

Um dos desafios das últimas décadas, em relação a serviço de saúde, é encontrar profissionais qualificados que estejam preparados para trabalhar com as novas tecnologias, com um mínimo de riscos para o paciente e uma equipe de baixo custo. “A segurança é uma das dimensões da qualidade dos serviços de saúde, não podemos falar de qualidade sem abordar as questões de segurança, e vice-versa, são temas indissociáveis” comenta a presidente do comitê.

As questões que envolvem a transparência em relação ao paciente é essencial para que ele participe do seu próprio cuidado. O paciente como agente questionador, que participa e cobra da equipe de assistência os procedimentos capazes de garantir a sua segurança e a qualidade do atendimento que está sendo prestado, é uma das questões que serão abordadas pelo fórum.”Embora essa atitude por parte de uma instituição de saúde possa gerar alguma apreensão junto às equipes, no início, ela se torna uma ferramenta muito eficaz para a melhoria dos níveis de qualidade e de segurança no processo de assistência”, assegura Sandra Cristine

Confira a entrevista que a SAHE fez com Sandra Cristine, presidente do Fórum de Qualidade e Segurança na Saúde:

SAHE: Como você avalia a importância do Fórum de Qualidade e Segurança na Saúde na SAHE 2019?

Sandra Cristine: O Fórum de Qualidade e Segurança na Saúde vem com o propósito de discutirmos os novos conceitos e processos em torno da segurança do paciente.

SAHE: Quais serão os principais temas que este fórum pretende levar para o público na SAHE 2019?

Sandra Cristine: Serão discutidos temas como: judicialização, pagamento por valor, liderança para segurança, tecnologia para segurança, cuidado centrado, cultura justa, papel da equipe multidisciplinar.

SAHE: Na sua visão, onde estamos e para onde vamos em relação a qualidade e a segurança no Brasil?

 Sandra Cristine: Lembrando que as questões de qualidade deram início na indústria há muito tempo, ganhou bastante destaque depois da segunda guerra mundial. Essa padronização influenciou os serviços de saúde. O marco da questão de qualidade nos serviços de saúde foi em 1999 com a publicação do livro “Errar é Humano” do Instituto de Medicina dos EUA, nesse livro os autores fizeram um diagnóstico e levantamento dos erros que aconteceram na área da saúde. Os resultados apontaram que de 44.000 a 98.000 mortes aconteciam por ano relacionados a erros, sendo muitos desses previsíveis. O custo dessa problemática girava em torno de 17 a 29 bilhões de dólares. A partir desta constatação foi iniciada uma grande discussão para prevenção desses eventos no setor da saúde. A organização Mundial da Saúde elaborou algumas campanhas para padronização de processos considerados críticos para assistência a saúde, apresentando por objetivo a garantia da qualidade e segurança com a diminuição dos riscos. Temos por exemplo a implantação das Metas Internacionais de Segurança do paciente, que aborda a padronização da identificação correta dos pacientes, a prevenção da infecção por meio da adequada lavagem das mãos, prevenção de quedas, cirurgia segura, entre outras.

SAHE: De que maneira o fórum vai abordar o envolvimento do paciente em relação a qualidade e segurança da Instituição?

Sandra Cristine: Por meio da discussão com os principais envolvidos no cuidado. Lembrando que nas questões de envolvimento do paciente a transparência é essencial para que o paciente participe de seu próprio cuidado. Somente com um alto nível de informação conseguiremos transformar o paciente em um agente que questiona, participa e cobra da equipe de assistência procedimentos capazes de garantir a segurança e a qualidade do atendimento que está sendo prestado. Embora essa atitude por parte de uma instituição de saúde possa gerar alguma apreensão junto às equipes, no início, ela se torna uma ferramenta muito eficaz para a melhoria dos níveis de qualidade e de segurança no processo de assistência.

SAHE:  O tema do Fórum de Qualidade e Segurança é “Qualidade e Segurança além dos muros hospitalares”. Como você vê esta expansão da qualidade além dos muros das instituições de saúde?

Sandra Cristine: Ela é necessária, por que todos os serviços de saúde devem ter seus planejamentos focados nas questões de qualidade e segurança.

SAHE: Quais são suas expectativas para o Fórum de Qualidade e Segurança na Saúde 2019?

Sandra Cristine: As melhores possíveis, estamos preparando um evento com muitas particularidades e novidades para que no término do evento os participantes saiam com a vontade de fazer a diferença no seus locais de trabalho, isso é, a ideia é construirmos uma rede em prol da segurança do paciente.

SAHE: Há mais alguma informação que gostaria de salientar?

Sandra Cristine: Nos serviços de saúde, a busca pela qualidade constitui-se preocupação incessante dos profissionais que neles atuam, frente à necessidade contínua de mudanças nos padrões de assistência, decorrentes dos avanços no conhecimento técnico-científico impulsionado pelas novas tecnologias. Assim, prestar assistência à saúde que garanta o máximo de qualidade e mínimo de riscos para o paciente e equipe sob um baixo custo, tem sido o desafio das últimas décadas. A segurança é uma das dimensões da qualidade dos serviços de saúde, não podemos falar de qualidade sem abordar as questões de segurança, e vice-versa, são temas indissociáveis. O importante é ressaltar que o desenvolvimento da área da segurança do paciente permitiu um novo olhar sobre o cuidado à saúde, na medida em que foi influenciado por outros campos do conhecimento que se voltou para estudar o erro humano, os acidentes e sua prevenção. A ausência de danos desnecessários, real ou potencial no decorrer da assistência ao paciente, traduzida pela busca da melhoria continua e diminuição dos possíveis riscos e danos, está irremediavelmente aumentando a qualidade dos serviços de saúde, esta condição é uma meta a ser perseguida por todos. Para a equipe de Enfermagem, a segurança do paciente não é um fenômeno novo, compõe a própria essência do trabalho que transparece em fazeres e atitudes comuns do cotidiano, seja por meio da lavagem de mãos, do processo de educação do paciente e familiar, da adequada iluminação e ventilação do ambiente físico, dentre outras, que muitas vezes, sequer são percebidas como medidas pró-ativas de segurança. O próprio processo de trabalho desenvolvido nas unidades, muitas vezes, necessita ser revisto, pois pode constituir em um facilitador de eventos adversos. Rever, analisar e propor novas estratégias de atuação da equipe para a prestação da assistência ao paciente pode resultar em maior segurança para todos. Simplesmente não falar sobre os eventos adversos não evitará que aconteçam, assim como não investigá-los tampouco trará subsídios para a sua prevenção. Resta a Equipe de Enfermagem, envolvida direta ou indiretamente na assistência, o desafio de enfrentar problema tão indesejável.Atualmente o movimento para a Segurança do paciente substitui “a culpa e a vergonha”, por uma nova abordagem, a de “repensar os processos assistenciais”, com o intuito de antecipar a ocorrência dos eventos antes que causem danos aos pacientes. Eventos Adversos no decorrer da assistência, longe de serem vistas como “normais” e “aceitáveis”, devem ser considerados como eventos excepcionais, raros, desvios que não devem ser tolerados. Independente das consequências delas resultantes, não se pode admitir que infusões venosas corram fora do tempo prescrito, que medicações  deixem de ser administradas, que sondas sejam retiradas acidentalmente, entre tantas outras possibilidades de eventos que poderiam ser vistas como “menores”. Simplesmente negar a existência dos eventos adversos na prática assistencial pouca contribuição trará para os envolvidos, sejam profissionais, pacientes, familiares, instituições e sociedade. Nesse sentido, devemos tirar o maior proveito desta condição, o que significa apreender com o erro. Isto nós proporcionará a possibilidade de intervenções que levem à prevenção desses eventos adversos, sempre que possível, isto é segurança e qualidade.

 

SERVIÇO
Evento: Fórum de Qualidade e Segurança na Saúde
Local: SAHE – South America Health Exhbition
Endereço: Centro de Eventos Pro Magno, em São Paulo
Data: 12 a 14 de março de 2019
Mais informações: (16) 3629-3010 – eventos@grupomidia.com

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